Rosa Púrpura

é assim deitada e nua que me encontras
molhada de desejo de animal
e com teu pénis teso e mãos sedentas
me fodes como nunca alguém igual

March 17, 2005

38

03.JPG

ELA

Fernanda Mineiro? Isso era mais absurdo do que chamar Fernando Preto a um esquimó! Se lhe chamassem Fernanda Rosa, ou Fernanda Cravo, qualquer destes nomes se colaria a ela como uma apertada peça de fina roupa interior. Mas aquela professora de olhos fundos e redondos, atrás dos quais parecia querer esconder-se um pudor que o próprio corpo traia a cada movimento, chamava-se Fernanda Mineiro.
Olhando-a, eu só conseguia ver debaixo da ganga levemente coçada o fio dental a rasgar-lhe as nádegas, e o negro do fio agarrado pelos meus dentes, enquanto a minha língua descia como cobra até entrar no buraco envolvido por uma carapinha tumultuosa - isso no fim de um tronco de vime que se prendia a mim, me envolvia, me apertava como se quisesse chupar-me todo o sangue.
E, no alto desse tronco, as mamas de que me chegava o calor de dois sóis a rebentar o azul da blusa.
Ela Fernanda Mineiro? Ela um Cassius Clay cortando pedras de carvão a cem metros de profundidade, que à noite, depois de emborcar uma garrafa de Wisky, enterrava os seus vinte centímetros na mulher sem dar por isso?
Uma mistura em que não consigo pensar de desejo, pavor e pena, levou-me a dirigir-me a ela e dizer-lhe carinhosamente Fernanda Mineiro não, Fernanda Mineiro nunca conseguiria chamar-te, deixa-me que te chame Fernanda Minete, respeitando o mais possível a música do nome que os teus paizinhos te puseram, mas eu não sou capaz de pronunciar para ti.
Então, esmeraldas lânguidas voltaram-se para mim de dentro de dois globos oculares e ciciaram-me com uma serenidade que me deixou petrificado:
- Deixava, deixava, meu querido. Só é pena vires uma semana atrasado.