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Mais tarde ou mais cedo encontrar-me-iam. Obviamente disse que o revólver me tinha sido roubado. Ao fim de três dias detida acreditaram em mim, que a minha cidade é outra e o Jorge, sem se lembrar, testemunhou que esteve comigo nesse fim de semana. E não tenho cara de criminosa. Nem de puta, mas mesmo assim ainda lhes deve ter passado pela cabeça, ou por outro lado qualquer, que eu poderia ser a sua Sharon Stone privada. Enfim, tenho na bolsa o cartão do detective mais giro, com o pedido expresso de que não lhe telefone a horas tardias que a mulher é ciumenta. Ri-me, claro. Só lhe telefonarei se não conseguir convencer algum sacana de um polícia a não me passar uma multa. Quero lá saber de homens casados, com horas para chegar a casa, medo de baton no colarinho, medo de camisas amarrotadas, pressa de chegar, pressa de sair, pressa de foder, pressa de se virem.Interessa-me apenas que não vou ser acusada de nada. O outro não pagou em dinheiro, eu cobrei-lhe de outra forma. Ninguém mais tem nada a ver com o assunto. O detective era giro, lá isso. O pior é o cheiro das instituições. Agonia-me.

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