Rosa Púrpura

é assim deitada e nua que me encontras
molhada de desejo de animal
e com teu pénis teso e mãos sedentas
me fodes como nunca alguém igual

June 30, 2005


April 18, 2005

a despedida

A Rosa murchou. E vem aqui despedir-se antes que lhe caia a última pétala, como na história do príncipe feito monstro por quem ninguém se apaixona.

Tão púrpura foi que não suporta agora ver-se a murchar. E escolheu deixar-se levar. Escolheu deixar-se morrer.

Por sua vontade, escreveria um sublime texto de despedida. Um texto que poderia ser o seu extenso epitáfio, mas sabe que ninguém a chorará. Depois de uma rosa vem sempre outra. No vaso ou na cama, tanto faz. Ninguém lamentará a sua morte e poucos se lembrarão dela quando outra tomar o seu lugar. É mesmo assim. Há sempre um dia em que largamos a amarra que nos prende ao cais. E deixamo-nos ir. Sem pena. Sem dor. Apenas com a quietude de quem fez mal porque não soube fazer bem. Com a quietude do monstro que não soube fazer melhor.

Dizem que o que custa é saber viver. A Rosa pensava que o que custava era encontrar quem a soubesse foder. Mas eu penso que o que ela queria dizer é que era difícil encontrar quem a soubesse amar. Claro que não lho podia dizer. Ter-se-ia rido de mim. A Rosa era assim, púrpura por dentro, púrpura por fora, mas de pétalas vulneráveis, de que ela não cuidava por acreditar que seriam eternas. Mas nada é eterno. Nem o desejo. Às vezes morre mal nasce. Às vezes matamo-lo nós. Às vezes deixamo-lo morrer. Às vezes falta o sol.

(Tudo por causa de um sonho. Ou melhor, a Rosa, que não é mulher para estas coisas, deixou que um sonho, melhor, um pesadelo, fosse a gota que fez transbordar o copo de sangue em que se afoga. Tanto pior.)

Divertiu-se, todavia. Com as dúvidas sobre se seria de homem ou mulher a mão que pegava nesta pena, sobre a veracidade das histórias que contou, com as reacções a temas que se mostraram mais controversos, com os convites por baixo da mesa, com a excitação que lhe contavam. Fez desta janela a barreira que a escudava da frieza dos dias reais. Nasceu anunciada de morte, não sabendo apenas que o prazo seria tão brevemente cumprido.

Uma rosa é só uma rosa, diz ela como quem quer prolongar o momento da despedida mas não sabe como fazê-lo. Não quer ir-se embora, dizemos nós cá de longe. Dizemo-lo já a olhar para o lado, à procura de nova flor, sem nos determos nesta que já murcha e por isso já não alegra a vista de ninguém.

E então saímos devagar. Por pudor, que não é bonito ficarmos a ver a dor alheia.
E lentamente, sem agonia, a rosa murcha. E morre. Porque não soube sobreviver sozinha.

April 15, 2005

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A cópula

de Manuel Bandeira (homem que nunca fodi)

Depois de lhe beijar meticulosamente
o cu, que é uma pimenta, a boceta, que é um doce,
o moço exibe à moça a bagagem que trouxe:
colhões e membro, um membro enorme e tungescente.

Ela toma-o na boca e morde-o. Incontinente,
não pode ele conter-se, e, de um jacto, esporrou-se.
Não desarmou porém. Antes, mais rijo, alteou-se
e fodeu-a. Ela geme, ela peida, ela sente

Que vai morrer: - "Eu morro! Ai, não queres que eu morra?!"
Grita para o rapaz que aceso como um diabo,
arde em cio e tesão na amorosa gangorra

E titilando-a nos mamilos e no rabo
(que depois irá ter sua ração de porra),
lhe enfia cona a dentro o mangalho até o cabo.

April 13, 2005

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Claro que a infeliz moral com que nos educam se vale do nosso medo para nos castrar, mantendo-nos amedrontados à sombra de um deus que afinal também se deitou com a mulher mais bonita das redondezas.
Se o corpo tem sede porque havemos de negar-lhe água?

April 12, 2005

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A vizinha de cima queixou-se no elevador, assim como quem não quer a coisa, da deficiente construção do prédio que deixa passar os sons todos, que nos limita a privacidade. Sei que me estava a dar um recado, mas a tipa é viúva, não deve ter lá muita animação nos seus serões, o melhor é não lhe dar ouvidos e deixá-la a ela dar ouvidos ao que se passa cá em casa.
Tenho cá para mim que se esses tipos e tipas que se incomodam tanto com as alcovas alheias se libertassem um pouco mais, sairiam de casa pela manhã com um ar muito menos infeliz e enfastiado.
Isto de foder em segredo para não incomodar ninguém, de luz apagada para esconder não sei que pudores, de se correr para a casa de banho sem se deixar que os suores e outros fluídos sequem nos corpos ainda colados é provavelmente o que faz da maioria de nós pessoas tão cinzentas.
Como se eu não visse os tipos cá do prédio a galarem-me às escondidas das mulheres quando vou fumar sem soutien à janela.

April 11, 2005

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A gente às vezes mete água. Mas muitas vezes, ainda que isso não remedeie o mal feito, é sem intenção. Assim como se eu foder um homem casado. Se ele não me disser, não sou obrigada a saber. Hei-de fazer merda, pois claro, mas não terá sido intencional.
O mesmo pode acontecer com as fotos que ilustram os meus textos, o mesmo será dizer, o diário dos meus dias. Vejo uma foto, agarro-a, ela agarra-se a mim, envolvemo-nos as duas no mesmo texto. Se essa foto tem dono mas me chegou às mãos sem eu o saber ou, pior do que isso, que dono todas terão, se me chegou às mãos adulterada e eu assim a tomei como original e nessa medida a colei ao texto que é meu; e se nessa colagem falto ao respeito a alguém, que posso eu, Rosa que não é mais do que mulher, fazer a não ser humildemente apresentar um pedido de desculpas?

April 04, 2005

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Além de falsos moralistas, os vizinhos da outra casa eram aborrecidos e complicados. Antes que me aborrecessem mais, decidi eu mudar-me.
Agora aqui estou, casa nova, vizinhos novos.
É que eu até nem sou esquisita; e não me refiro ao meu critério para escolher os homens. Refiro-me sim ao meu critério para escolher pessoas.
E para falsos moralismos, desculpem lá, mas não tenho cu.

March 30, 2005

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"Foda-se Rosa, as mulheres não falam assim."
"Mas qual é o teu problema? Só te perguntei se ainda sentes o tal ardor nos colhões."
"Exactamente. Devias ter perguntado se o sinto nos testículos."
"És parvo. Então quando me fodes posso dizer que quero que me batas com os colhões na cona e agora tenho de usar pantufas?"
"Oh Rosa, é só que isso é conversa de gajo."
E continuámos a discussão até que me fartei da conversa e lhe disse que a partir dali teria de fazer amor com outra senhora qualquer porque aqui a Rosa, de tão púrpura, só fode.

March 24, 2005

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Levantei-me tarde. O banho demorado, como todos. Dão-me prazer assim. Ele entrou na banheira. Por detrás de mim surgiram duas mãos enormes que espalhavam a espuma pelo meu corpo. Tentei virar-me para ele. Impediu-me. Os seus dedos ensaboados começaram a abrir caminho, um caminho fácil, pelo meu cu. Dobrei-me um pouco para a frente, encostei as mãos à parede fria. Ele retirou os dedos e senti entrar um pau duro, duríssimo e quase arenoso. Pelo meio das minhas pernas a minha mão tacteou, procurando o que me penetrava. Não era o seu caralho. Era o vibrador, desligado, apenas fodendo-me pela mão do homem que, horas antes, chegara a casa comigo, depois de termos dançado toda a noite no bar do Freddy. Não fodemos. Estávamos os dois demasiado bebidos. Quando no banho lhe pedi que me fodesse a cona com o seu caralho, disse-me apenas "Estamos na semana santa, não podes comer carne".
Puta que o pariu.

March 21, 2005

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Por vezes a minha paciência surpreende-me. Não gosto especialmente de mulheres, embora a curiosidade já me tenha levado à cama com algumas. Mas refiro-me às tipas, a uma em especial, que se lamentam de não saber muito bem o que é isso dos orgasmos. Isto é mais ou menos como ensinar alguém a travar o fumo dos cigarros ou a fazer balões com pastilhas, a gente pode explicar, mas tem de ser a pessoa a descobrir o jeito. Esta tipa lamentava-se e eu não tive outro remédio senão explicar-lhe. Mas explicar por palavras não ajudou grande coisa. Também não queria ser eu a dar-lho de bandeja senão a tipa nem chegaria a saber de onde ele tinha vindo. Optei por me masturbar à frente dela. Só com os dedos, nada de vibradores que isso é uma chatice, a gente habitua-se a eles e depois se nos esquecemos de comprar pilhas já não nos lembramos de como se chega lá com os dedos.Na cama dela, com a fotografia de casamento em cima da cómoda, não era, decerto, o melhor ambiente. Mas lá seguimos. A tipa sentada aos pés da cama, a olhar ansiosa para mim. Eu com uma almofada debaixo das nádegas, encostada à cabeceira da cama.Só com um dedo, para não tapar a visibilidade da tipa que parece que tinha medo de se aproximar, lá fui esfregando o clítoris que, sem pintelhos e acabadinho de sair da boca gulosa de um talentoso companheiro, mais parecia uma pequena pila. Achou-lhe graça. Perguntei-lhe se o dela era muito diferente e respondeu-me que não sabia bem. Bom...Lá me esfreguei e torci, mostrei-lhe o que fazer à outra mão com as mamas, e num instante me vim, apesar do ambiente estranho.A tipa ficou siderada com os meus gritos e as minhas contracções de tal modo que me pediu, antes de mais que lhe fizesse o mesmo. Acedi, excitada como estava, mas isso fica para contar depois, que agora está a dar-me cá uma destas tusas.

March 18, 2005

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Andei todo o dia de calças bem justas ao corpo. Jeans. A costura das calças a estimular-me durante todo o dia. Como podia ter recusado o convite para jantar com o Duarte, apesar de não ter dormido nas duas noites anteriores? Estava cansada, sim, mas também excitada. E o calor.Fomos para sua casa depois do jantar. Não tornámos a foder desde que se separou da mulher. Achava-lhe mais piada quando o via aflito a tentar apagar os vestígios da minha passagem lá por casa, pela sua cama, para que a sua mulher não lhe fodesse os cornos quando chegasse.Escritor. Da treta, claro. Mas assim tinha uma desculpa para não trabalhar. E para me receber lá em casa durante o dia. As fodas não eram grande coisa e eu agarrei o primeiro pretexto, o seu divórcio, para desaparecer.Mas o calor de ontem, a tusa constante durante todo o dia, levaram-me de novo a dar a cona ao manifesto daquele caralho sempre teso, valha-me isso.Tinha um presente para mim, dissera. Pensei em vodka, pensei em cuecas comestíveis, pensei em tudo o que ele já me oferecera e pensei que não seria novidade.Enganei-me. Foi surpresa e não efectivamente presente. E nem vale a pena tentar entender o conceito que os homens fazem de presentes a oferecer.Um canal porno por cabo oferecia, no âmbito do dia da mulher, sessões contínuas de filmes com actores major cocks. E era este o presente que o Duarte tinha para mim. Puta que o pariu. Ainda se tivesse uma para me disponibilizar, in loco.Ficou a apetecer-me uma assim. Como a do Vítor que, não se acomodando ao facto de a ter bem grande, fazia questão de a aplicar o melhor possível.O mal das fodas boas é esse, depois todas as outras são medianas.

March 17, 2005

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ELA

Fernanda Mineiro? Isso era mais absurdo do que chamar Fernando Preto a um esquimó! Se lhe chamassem Fernanda Rosa, ou Fernanda Cravo, qualquer destes nomes se colaria a ela como uma apertada peça de fina roupa interior. Mas aquela professora de olhos fundos e redondos, atrás dos quais parecia querer esconder-se um pudor que o próprio corpo traia a cada movimento, chamava-se Fernanda Mineiro.
Olhando-a, eu só conseguia ver debaixo da ganga levemente coçada o fio dental a rasgar-lhe as nádegas, e o negro do fio agarrado pelos meus dentes, enquanto a minha língua descia como cobra até entrar no buraco envolvido por uma carapinha tumultuosa - isso no fim de um tronco de vime que se prendia a mim, me envolvia, me apertava como se quisesse chupar-me todo o sangue.
E, no alto desse tronco, as mamas de que me chegava o calor de dois sóis a rebentar o azul da blusa.
Ela Fernanda Mineiro? Ela um Cassius Clay cortando pedras de carvão a cem metros de profundidade, que à noite, depois de emborcar uma garrafa de Wisky, enterrava os seus vinte centímetros na mulher sem dar por isso?
Uma mistura em que não consigo pensar de desejo, pavor e pena, levou-me a dirigir-me a ela e dizer-lhe carinhosamente Fernanda Mineiro não, Fernanda Mineiro nunca conseguiria chamar-te, deixa-me que te chame Fernanda Minete, respeitando o mais possível a música do nome que os teus paizinhos te puseram, mas eu não sou capaz de pronunciar para ti.
Então, esmeraldas lânguidas voltaram-se para mim de dentro de dois globos oculares e ciciaram-me com uma serenidade que me deixou petrificado:
- Deixava, deixava, meu querido. Só é pena vires uma semana atrasado.

March 14, 2005

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Vítor, meu cabrão, que me acompanhas em cada sombra, em cada soluço, em cada gemido; Vítor, meu filho da puta, que tanto te colaste a mim, a tua maldita presença à minha, "Ehud is my husband, mio marito, mi hombre, o que é um homem?"

March 10, 2005

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A mim, o que me deixa mesmo fodida, é encontrar no meu caminho, o mesmo será dizer entre as minhas pernas, que aí se fazem todos os meus caminhos, fulanos que, dizendo-se muito liberais e abertos e dispostos a tudo e com a mania de que as mulheres é que se recusam a certas práticas, na hora da verdade se acobardam, se enojam, se retraem.Parece estar tudo muito bem até ao momento em que certas (novas) ideias me surgem. Parece que, para esses fulanos, variar é uma vez um por cima, outra vez outro. Ora, puta que os pariu, que quando me aparecem à frente a vontade que tenho é picá-los ainda mais e propôr-lhes que comam a minha merda (é que esses, normalmente, pertencem ao grupo dos que gosta de me foder o cu e ver-me fazer-lhes um broche logo de seguida, mas são incapazes de me beijar a boca a seguir).É remédio santo para os pôr logo noutro caminho, o que leva para longe da minha porta.O preconceito, mesmo nos que se vangloriam de ser muito abertos a experimentações, leva-os a recusar à partida um acto que desconhecem. Nem toda a gente tem de gostar de tudo, obviamente. Eu própria, enfim, deve haver coisas de que não gosto (só não me lembro agora). E isso não quer dizer que sejamos preconceituosos. Mas, por exemplo, recusar um minete porque se está com o período, não me parece muito inteligente. Não tem de se enfiar o queixo numa poça de sangue, basta que a língua se passeie pelo clítoris e aí não há sangue.Enfim, foi só um exemplo (e um desabafo) de preconceitos que me parece não terem razão de existir. Até boa justificação.

March 07, 2005

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Mais tarde ou mais cedo encontrar-me-iam. Obviamente disse que o revólver me tinha sido roubado. Ao fim de três dias detida acreditaram em mim, que a minha cidade é outra e o Jorge, sem se lembrar, testemunhou que esteve comigo nesse fim de semana. E não tenho cara de criminosa. Nem de puta, mas mesmo assim ainda lhes deve ter passado pela cabeça, ou por outro lado qualquer, que eu poderia ser a sua Sharon Stone privada. Enfim, tenho na bolsa o cartão do detective mais giro, com o pedido expresso de que não lhe telefone a horas tardias que a mulher é ciumenta. Ri-me, claro. Só lhe telefonarei se não conseguir convencer algum sacana de um polícia a não me passar uma multa. Quero lá saber de homens casados, com horas para chegar a casa, medo de baton no colarinho, medo de camisas amarrotadas, pressa de chegar, pressa de sair, pressa de foder, pressa de se virem.Interessa-me apenas que não vou ser acusada de nada. O outro não pagou em dinheiro, eu cobrei-lhe de outra forma. Ninguém mais tem nada a ver com o assunto. O detective era giro, lá isso. O pior é o cheiro das instituições. Agonia-me.

February 27, 2005

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O João, o maior rival do Vítor no negócio, dançou mais de uma hora com uma das putas da casa. Eu mal conseguia despregar o meu olhar da dança absolutamente pornográfica a que se dedicavam. Comecei a sentir-me molhada, com as mamas duras. Estava tão completamente excitada que para clarear os olhos tive de ir à casa de banho masturbar-me.Gosto de me masturbar em casas de banho públicas. Têm não sei quê de decadente que me excita. Masturbei-me por cima do vestido e vim-me com barulho, como faço em casa quando estou sozinha. Quando saí estavam o João e a puta encostados ao lavatório. Ele tinha-a dobrado pela cintura e fodia-a com força, como se estivesse a montar um cavalo, desferia-lhe fortes palmadas nas nádegas e fodia-a brutalmente. Parei a olhá-los. Entravam e saíam mulheres que mal os olhavam, mijavam de porta aberta e tornavam a sair, com uma rápida olhadela ao espelho.Aproximei-me deles devagar, ainda com a pele eriçada pelo meu recente orgasmo. Ele viu-me, parou de bater na mulher que fodia, puxou-me a si, sem violência, pelos cabelos e lambeu-me os lábios. Não me afastei nem correspondi. Ele insistiu, beijou-me a boca com sofreguidão, depois baixou-me o vestido pelo ombro e chupou-me as mamas, nunca parando de foder a outra mulher que parecia nem dar pela minha presença. O homem guiou uma das minhas mãos para as mamas penduradas da mulher e eu apalpei-lhas como se fossem as minhas. A mulher gemeu, olhou para mim sem expressão e disse-me apenas que não parasse. O homem puxava e torcia as minhas mamas já livres do vestido e continuava a chupar-me a língua. Começou a vir-se dentro dela e eu deixei-os. Compus o vestido e voltei para o balcão, onde tinha deixado a Cristina.Perguntou-me o que se passara lá dentro. Disse-lhe apenas que tinha ido mijar, não quero que pense que o Vítor tem alguma coisa a ver com as fodas que dou ou, principalmente, com as que ficam pelo meio.

February 25, 2005

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Hoje acordei com o sol a entrar-me pelo quarto, rompendo as fendas dos estores, rasgando as finas cortinas, perfurando-me as pálpebras. Poderá ser um dia bonito. Ou não. E é esta justa divisão de possibilidades que me retrai.Espreguiço-me ao longo da minha cama quente de mim. Dormi pouco, como sempre. Não sonhei, há já tanto tempo que não sonho que já nem me lembro da leveza das manhãs após essas viagens.Lembro-me das manhãs em que acordava ao lado do Vítor, dos seus olhos ensonados, o seu corpo a cheirar a nós, à nossa cama, ao sexo dos dois. Enroscava-me nos seus braços, nas suas pernas e contava-lhe os meus sonhos.Não sei do que sinto mais falta, se dos sonhos e das manhãs seguintes, se do Vítor. Ou se as duas não são a mesma coisa.Tenho viajado por ruas, esquinas, camas, corpos, mas a sua ausência apenas se agrava, como se todos os meus dias tivessem por sentido acentuar a falta que me faz.Começou a fazer-me falta quando ainda estava a meu lado, no momento em que decidi que ainda não tinha fodido todos os homens que queria foder, e porque não o conseguiria fazer tendo-o a ele na minha vida. Não por uma questão de princípios, que não tenho muitos, mas porque a sua presença me absorvia.O mal foi vê-lo ontem, não o imaginei frequentando o bar do Freddy. O mal foi ele não tirar os olhos de mim, enquanto eu dançava, e nesse olhar eu ver o desejo dos outros homens, mais do que o seu desejo, Vítor, por mim, Rosa Púrpura, para sempre sua mulher, sua amante, sua puta.À tua infelicidade, Vítor, por teres acedido ao meu pedido de que te fosses embora, eu erguerei todos os meus copos.

February 24, 2005

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Por vezes saio de casa ao cair da noite e vou andar de transportes públicos. Sem destino. Saio de um, entro noutro, apenas para ver gente indistinta.Estas viagens nem sempre são agradáveis, porém. Exaspera-me o contacto físico, indesejado, de quem se arroga o direito de se roçar por nós. Mas gosto que me sussurem um piropo ordinário, gosto de sentir o bafo quente a entrar pela minha orelha, a arrepiar-me o pescoço."Fodia-te:", foi só o que me disse. Não se moveu, não se colou ao meu corpo, não insinuou movimentos. Apenas a afirmação: "Fodia-te."E apenas isso bastou para eu descer na paragem seguinte, já molhada de púrpuro desejo.São assim certas rosas, em certos dias.

February 22, 2005

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Sujam-se os lençóis ou o sofá, se não se tiver cuidado. Mas esse é o único problema. Não no primeiro ou nos dois primeiros dias, que o meu corpo sempre se ressente, mas depois já não há problema. Estar com o período não é impedimento de nada. Nem mesmo de um minete. E de um beijo a seguir. Gosto do sabor metálico do sangue menstrual. A água lava até as línguas que não sabem lamber e a banheira não está tão longe assim.
(Afinal, qual é a diferença efectiva entre um minete com sangue menstrual -sendo que o minete até pode restringir-se ao clítoris- e um broche no qual se engole o esperma todo?)

February 18, 2005

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Ai, tesão!E depois, é isto. Mas quem me mandou querer dois caralhos, que mais parecem de preto (não que a minha experiência o comprove, forçosamente), a esfregarem-se um no outro dentro do meu cu?Agora aqui estou, de quarentena, que ainda por cima não me apeteceu mandá-los parar. Soube-me bem, que hei-de fazer? As dores, durante o sexo, até se confundem com o gozo. O pior é depois. E logo hoje que danço no clube do Freddy e estas noites já sei como acabam. Enfim, lá ficarei a perder esta noite, que eu gosto de levar no cu (por falar nisso, não percebo os pseudo-especialistas que dizem que os homens gostam de ir ao cu às mulheres, mas as mulheres não gostam de lá levar). Tenho para mim que esses fulanos e fulanas que assim falam ganhavam mais em praticar mais e teorizar menos.Enfim, vou tratar de mim que só a ideia já me está a fazer lamentar não a concretizar. E daqui até que isso aconteça, ainda tenho umas boas horas para recuperar, que hoje durante o dia não haverá cabrão nem puta que me veja fora de casa.

February 16, 2005

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Telefonei ao Jorge. Apetecia-me a sua voz quente, o seu riso, as palavras de quem não promete ou espera coisa alguma.Estava excitada. A casa aquecida, a roupa leve roçando levemente o meu corpo. Os mamilos acordadíssimos.Telefonei-lhe.Falámos naquela voz dengosa de quem conhece bem o prazer do outro. Pedi-lhe que me falasse ao ouvido. Mais, que me falasse bem dentro do meu corpo, assim como quando me fode, que me acordasse toda, que me desse instruções, que me dissesse o que queria que eu fizesse para ele, que me dissesse o que fazia para mim.Não lhe pedia muito. Apenas que me acompanhasse num orgasmo que seria, ainda assim, solitário. Ou apenas que me excitasse mais. Que me mostrasse como me desejava.Mas não.Que não vai nessa de sexo por telefone. Sexo por telefone, os colhões. Sexo por telefone é o auscultador enfiado na cona, puta que o pariu.Desliguei o telefone, fodida com ele. Não me masturbei, afinal.Saí de casa, acelerei durante horas e quilómetros, parei para beber e acordei em casa, não sei como, com o Jorge a tocar a campainha pedindo, em voz macia, para entrar. Puta que o pariu.

February 13, 2005

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Nunca percebi exactamente o que excita os homens ao verem duas mulheres na cama. Ainda nenhum me conseguiu explicar, ainda que assumam esse fetiche, ou lá como lhe queiram chamar.Quanto a mim, os meus, posso explicar. Gosto de foder e de ser fodida por dois homens. Não é que um não possa satisfazer-me, mas dois, dos que me sabem foder, não deixam terreno por explorar.Gosto de me sentir toda beijada, lambida, mordida, fodida. Enquanto sinto um caralho na boca, sem eu dar por isso, já tenho outro na cona, na mão, no cu, tanto faz. Gosto de sentir que me controlam, me submetem, me possuem ao mesmo tempo que eu controlo os dois, fodo os dois, dou prazer aos dois e os dois se vêem para mim.O corpo de um homem pode ser bonito, ao contrário do que dizem muitos. O rabo bem torneado. As mãos grandes. Os lábios, os dentes, a língua. As pernas, musculadas, firmes, como colunas de sustentação a uma estátua que nem precisa de ser grega. O sexo. O pénis caído, seco, murcho, repousado. Os colhões escuros, rugosos e macios, indefesos, com o tamanho certo para caberem na minha boca grande. A barriga lisa, firme, ou mais flácida com a maturidade que a idade lhes dá. As costas vincadas a meio pela coluna, desenhando o caminho que leva os meus dedos compridos à comissura das nádegas. Dois corpos de homem são ainda mais bonitos. Vê-los entesarem-se, masturbarem-se, ver como se vêem de forma igual e, todavia, tão diferente. Ter dois homens a susterem-no no ar, no limbo do orgasmo, no limiar de mim mesma e, ainda assim, deixando-se controlar. Pode ser.

February 11, 2005

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Pensei que estava sozinha no consultório. Esperei mais de quarenta minutos pelo médico que tinha sido chamado para uma urgência qualquer. Estava tensa. A noite tinha sido mal dormida, o sol da manhã andou a brincar às escondidas com a minha boa disposição e a minha boca ainda estava encortiçada.Comecei a massajar os meus próprios ombros, tão pesados. As mãos por dentro da blusa para lhes sentir o calor. Gostei de me sentir. Continuei. Descalcei-me e massajei também os meus pés. A blusa desapertada para chegar aos ombros descobriu uma das minhas mamas, a esquerda, sem soutien. Afaguei-a primeiro. Estava macia ou era das minhas mãos quentes. As minhas mamas cabem-me nas mãos. “More than a handful is a waste” disseram-me um dia. E eu afaguei-a primeiro. Comecei a sentir o prazer, o corpo a pedir-me uma qualquer libertação. Fora do consultório, apenas ruídos discretos, uma imperceptível música de fundo. Apertei o mamilo com a mão direita enquanto a minha mão esquerda descia, procurava caminho por dentro das calças apertadas. Desapertei-as. A mão ganhou espaço. Encontrou o caminho para o clítoris . o meu dedo, o do meio, começou a pressão. Depois, em movimentos semi-rotativos, comecei a masturbar-me, lentamente. A minha mão direita continuou a suster-me a mama, o seu frágil peso, a sua macieza. Apertei o mamilo. Puxei-o bruscamente, dando-lhe tréguas logo de seguida, sucessivas vezes.Reconheci-lhe os passos, ao orgasmo. Senti-o vir lá de longe, do fundo de mim. Fiquei calada, aguardando-o. Continuei a facilitar-lhe o caminho, apalpando as minhas mamas, as duas, juntando-as numa só mão, segurando os dois mamilos juntos, quase diria que beijando-se, fosse eu mais dada ao lirismo. A minha cona começou a palpitar, eu deixei-me escorregar na cadeira. O meu dedo e o meu pulso acusando o cansaço dos movimentos repetidos, o meu corpo, todo o meu corpo recebendo o orgasmo, a minha língua tentava humedecer os meus lábios secos. Eu arquejava já e soçobrei àquele orgasmo saído do mais fundo de mim, que nem todos são iguais.Quando o médico voltou ao consultório, eu segurava ainda a minha mama esquerda, tentava ainda acalmar os gritos da minha cona encharcada e dilatada.Sorri-lhe enquanto ele se sentava na secretária à minha frente e me estendia a mão.

February 07, 2005

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Não sei porquê, vim reler o que escrevi. Não costumo fazê-lo, por isso digo que não sei porque o fiz. E o que li não me agradou. Nem a mim mesma.Murcha, não é? Eu não sou assim. Eu sou e estou viva. E o meu corpo só faz sentido a ser fodido. Por isso a porta da minha casa nova abriu-se para receber o Jorge. E eu abri-me para o receber a ele. E que se fodam as ressacas, se se foderem tão bem como ele me fode a mim.

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Atingi um ponto de insatisfação de onde não sei se conseguirei sair.Aqui, deitada na cama da minha nova casa, ainda não habituada à disposição dos móveis, às luzes de néon, revisito as minhas últimas relações e percebo que tenho procurado sempre tê-las com vários homens, de uma só vez. Nem por isso têm sido mais satisfatórias. Quer dizer, têm sido boas, mas continuo a ficar vazia depois delas, e o maior prazer ainda sou eu que o dou a mim mesma.Sento-me sozinha em casa, rodeada de pornografia, visto-me para matar ou para morrer e saio de casa sem olhar para trás. Quando volto, venho cansada, suja, com a maquilhagem esbatida, a roupa amarrotada, as pernas trôpegas e com o álcool vou entorpecendo a realidade.Deve ser do frio. Preciso que chegue a primavera. Preciso de sentir no ar o selvagem bailado de hormonas, feromonas.Preciso de me sentir viva e cada vez sei menos como consegui-lo.

February 05, 2005

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Esta mudança de casa não estava propriamente nos meus planos, mas começou a incomodar-me a sombra que se esconde no escuro, lá em baixo, noite após noite. Incomoda-me o falso pudor dos vizinhos, delas que invejam os orgasmos que ouvem através das paredes mal isoladas, deles que me comem com os olhos, que entrariam em minha casa ao mais pequeno sinal, mas que se fingem chocados com as visitas que recebo, dizem que dá mau ambiente ao prédio.Puta que os pariu a todos.Aqui ninguém me conhece, nem eu conheço bem esta parte da cidade, mas tanto melhor. Sei que é sempre tudo igual, em todo o lado. É tudo uma questão de tempo, mas enquanto não se lembrarem de me aborrecer, e até pode ser que me torne mais paciente, estarei descansada.Esta casa é grande, maior do que a outra, e não tem a presença do Vítor, não o vejo a encostar-me à parede, segurando-me pelos pulsos, beijando-me a boca, o pescoço, as mamas, o umbigo, ajoelhando-se a meus pés enquanto me lambia a cona, antes de me pegar por baixo das pernas e de me foder enquanto o jantar que tinha preparado cozinhava lentamente no fogão.Aqui posso resnascer. Posso esquecer que já acreditei que um certo tipo de felicidade é possível. Aqui posso abrir a porta a qualquer um sem a pesada sensação de que estou a trair esse homem que quase me fez acreditar que uma foda é melhor se houver também algum... sentimento.É maior esta casa. Tem mais janelas e maiores. Fica na cobertura do prédio. É mais impessoal. Gosto mais desta.Aqui posso sentar-me no largo parapeito da janela, ver as difusas formas de quem passa na rua, não ser incomodada pelo toque do telefone ou pelas luzes vermelhas do atendedor de chamadas. Posso embaciar os vidros da janela e fazer desenhos absurdos enquanto me lembro da cara chocada dos vizinhos quando, ao passarem, me viram a ser fodida por um dos rapazes da empresa de mudanças. Não foi sequer uma boa foda, mas eu fingi que gostei, fingi que também desejava o outro, mais velho, quando ele me enfiou a pila na boca e pensou que me obrigava a fazer-lhe um broche. E ri, descaradamente, quando os vizinhos pararam à minha porta, que deixei aberta, e ameaçaram chamar a polícia. E ri quando ficaram sem argumentos para a minha resposta de que também os aviaria, e àquele vizinho careca também, a ver se ele ainda se lembrava do que era foder a sério, sem medo de acordar os vizinhos ou de sujar os lençóis.Quero lá saber.Aqui não conheço ninguém, ninguém me conhece, agora ando de táxi, vendi o meu carro para que a sua presença estacionado na rua não me traia. E não me aborreço com manutenções estúpidas e idas a oficinas que acabavam, invariavelmente, do mesmo modo.Apetece-me voltara ser como era. Foder quem encontrava e escolhia e deixar-me de fodas mal paridas em oficinas, supermercados e estações de serviço, como aquela na neve, em que deixei a Cristina e o amigo a fazerem-se cócegas, saí para comprar filtros de café e acabei enrolada com um dos empregados que fodi apenas para disfarçar a frustração da cabana. Mas já nem esses disfarces funcionam.A idade trouxe-me, lentamente, a um amadurecimento em que preciso de mais, não me basta foder quem me acene. Preciso de ser mais selectiva, por mim.Comecei por escolher uma nova casa. Acredito que, à laia de resolução de ano novo, isto seja um começo. Não sei bem de quê, mas viro a página, veremos o que está escrito para mim mais à frente.

January 31, 2005

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Eu sei que não sou exemplo para ninguém, excito-me com as merdas mais estranhas, pelo menos era o que me dizia o Vítor quando estava mais aborrecido comigo. Independentemente disso, não percebo a fixação dos homens em cenas lésbicas. Percebo o efeito de duas-vezes-cona, de quatro-vezes-mamas, mas a tusa não pode nascer só da quantidade. Ou pode? Serão os nossos instintos tão básicos quanto isso?O amigo da Cristina fodeu-me três vezes, durante o fim de semana só por nos ter visto, às duas, enroladas a ver se afugentávamos o frio da neve, lá fora. Não me fodeu mais vezes porque fui à rua comprar filtros para café, que o imbecil se esqueceu de levar, e por lá me entretive, história que fica para depois.As fodas deste amiguinho então, são mesmo para esquecer. Além de só se ter entesado por nos ter visto nos mimos, para nada tendo servido os broches e outras artes com que a Cristina decidiu mimá-lo, para lhe agradecer a estadia na neve, suponho, brindou-me com três míseras fodas de que até o mais cabritinho se envergonharia. De grande coisa lhe serve o enorme pau que carrega dentro das calças, não haja dúvida.

January 24, 2005

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Além de me foder bem, com carinho e com fúria, com atenção e egoísmo, gritando-me e no silêncio, gosta de me surpreender. Nada de rosas vermelhas ou pulseiras de diamantes. Nada de jantares em restaurantes pseudo-românticos ou vistosas caixas de bombons raros e caríssimos. Nada de viagens a ilhas paradisíacas nem fins de semana em iates no alto mar. Faz-me amor e fode-me, intercaladamente, até que, exausta, adormeço, de costas voltadas para ele, a mão a suster-lhe, agradecida, o caralho adormecido, húmido e macio. Deixa-me adormecer assim sem se mover, quase sem respirar. Não me toca. Não me deseja bons sonhos. Parece já nem estar ali. Parece que cada um de nós, saciados agora, volta para a sua própria casa, ainda que fiquemos deitados na mesma cama, lado a lado. É depois de o meu sono ser profundo, é quando a minha respiração sossega e equaliza, é quando a minha mão se recolhe para entre as minhas pernas que ele, despertíssimo, lentamente, sem dificuldade, abre as minhas nádegas. A primeira coisa que sinto, ainda a arrancar-me ao sono profundo, o primeiro, o merecido descanso desta guerreira sem tréguas, é a sua língua meio seca, enrolada e firme, a penetrar-me o cu. Mexo-me um pouco. Os pelos do seu peito fazem cócegas na minha carne macerada. Aproveita esse movimento para agarrar melhor as minhas nádegas e, segurando-as firmemente afastadas, deixa escorrer um fio de saliva que cai frio no calor do meu cu, fodido poucas horas antes. A sua mão força-me a pélvis para cima, mais ao encontro da sua boca. Eu ajeito-me, ainda adormecida e habituada a sonhos bons. Sinto a sua mão abrir caminho pela minha cona, ainda ou já húmida. Sinto-a rodar, perfurar, entrar como se essa fosse a sua casa. Continua a foder-me o cu com a língua. Eu dou-lho, agradavelmente descontraída. A sua mão na minha cona guia todo o meu corpo, puxa-me para cima, obriga-me a manter um ângulo de rins digno de uma artista de circo. E eu não me queixo. Dou-lhe o que quer do meu corpo. A sua saliva molha-me o cu, escorre-me já pelas nádegas, até à cona que abriga a sua mão, metida até ao punho, com convicção. Sinto-o endireitar-se no silêncio do quarto onde adivinho já os primeiros raios de sol, mas não abro os olhos. A sua mão dentro da minha cona alivia o movimento de vai-e-vem e aperto-o para que não a retire. Uma lambidela mais no cu, apenas. Uma lambidela. E, de repente, o seu caralho, sempre bem-vindo, a entrar, a escorregar para dentro desse túnel sempre misterioso e obscuro. A sua mão, agora parada, enche-me a cona e é o seu caralho que me fode o cu com tanta força quanto é possível. E eu abro-me o mais que posso e já sou eu que o fodo, não é ele que me fode a mim. E continuamos a foder-nos, quase violentamente, não fosse o brilho que as minhas pálpebras corridas encobrem e eu sinto o orgasmo cavalgando rapidamente e chamo-o, "vem a mim, vem-te a mim, vem-te para mim", e com a minha mão, com dois dedos da minha mão direita, violento o meu clítoris como se este fosse o meu último orgasmo. E venho-me como um animal selvagem, estrangulando-lhe o pulso enquanto me contraio, dando-lhe o cu que me fode cada vez mais forte, enquanto lhe grito que se venha no meu cu como se fosse um cavalo alado quem me estivesse a foder. Ele retira, bruscamente, a mão da minha cona, segura-me pelos quadris, grita-me que se vem, como se fosse preciso dizer-mo, tal o estertor que lhe sacode as pernas e cai por cima de mim, suado, satisfeito, segurando, com as suas mãos em concha, as minhas mamas feitas para aí caberem e descansarem inteiras. E adormecemos de novo.

January 20, 2005

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E pronto. Já está de saída esta maldita gripe que me deprimiu, que me impediu de sentir o sabor dos meus dedos quando me masturbo. Já posso sair à rua, montada nos meus saltos altos, pernas a espreitarem pelo casaco comprido, andar de caçadora.Exactamente, saio para a caça hoje. Cheia de vontade. E serão meus esta noite os homens que eu quiser. E será meu o prazer de os enganar quando pensam que, ainda que por minutos, me têm.A saia de cabedal já me acaricia as coxas. As minhas mãos acompanham-na. Carrego no bâton. Bebo a última vodka e despenteio os cabelos.A noite é minha. Os homens também.

January 18, 2005

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Não se pode dizer exactamente que sinta a falta do Vítor. Mas gostava de me levantar a meio do dia, depois de beber o café forte que me levava à cama para me ajudar a recompôr de uma noite mal dormida e bem fodida. Depois, descalça e nua, com a caneca a aquecer-me as mãos, acercava-me da porta da casa-de-banho e ficava vê-lo barbear-se. Gosto de ver um homem barbear-se. Gosto de o ver em tronco nu, em frente ao espelho. Inclinado para a frente. Os rins hirtos. As nádegas contraídas. Gosto de lhe descer as unhas, suavemente, pela linha da coluna. Arrepiá-lo. Desconcertá-lo. Provocar-lhe um corte. Ligeiro. Gostava quando largava a lâmina e, ainda com espuma em parte da cara, me fodia por trás, magoando-me contra os frios azulejos da parede. Ou então, ficava simplesmente a olhá-lo. Os gestos precisos. O arranhar da lâmina a precisar de ser trocada. O seu ar ligeiramente aborrecido quando percebia que me tinha depilado com ela. Podia ficar a vê-lo. Apenas.

January 16, 2005

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woman01.jpgIsto não é muito meu, mas estou deprimida. Talvez porque hoje não tenha dado uma queca. Ou porque bebi demais. Ou porque saí, andei de carro às voltas e nem sequer fui ver o mar. Ou porque me puseram a mão no ombro quando parei na estação de serviço para comprar cigarros e vinho branco. Ou talvez porque tenho de reescrever todas as palavras por já não ver bem o teclado. Ou talvez porque não sei viver comigo própria. Ou porque nem me apeteça masturbar-me. Ou porque o vinho não está gelado. Nem fresco. Ou porque há luzes nas janelas em frente. Ou porque o meu corpo já nem a mim apetece. Talvez porque todas as mulheres são tão bonitas e tão inteligentes. Talvez.

January 15, 2005

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fuck02.JPGQuando aquele homem me abordou no bar eu já sabia que não correria bem. Quer dizer, não sabia, mas poderia ter sabido se não mantivesse sempre esta esperança de que as pessoas, todas, podem ter um dia de sorte. Mas não, não soube isso, não o li no seu olhar de matador, não o percebi no seu caminhar gingão e trocista, não o entendi na abordagem suja e directa que utilizou para me foder mesmo ali, nas traseiras do bar onde tinha estacionado o seu velho Fiat vermelho. Por isso segui-o. Não só por isso, claro. Também porque tinha ido ali para isso, para ser engatada. É fácil, os homens são mais fáceis do que as mulheres fáceis. Basta-me uma roupa justa, os lábios pintados de carmim, meias de puta e toda eu passo a ser visivelmente puta.Claro que a minha pose ajuda. As pernas traçadas e as mamas apertadas num wonderbra com duplas almofadas não deixam margem para que duvidem do que pretendo.O carro cheirava a gatos, os estofos estavam queimados por cigarros mal apagados e o rádio debitava um som roufenho que me distraía da estupidez que era a música. O banco de trás, onde me instalei imediatamente, estava literalmente forrado com revistas pornográficas e jornais desportivos. Quando gabei o rabo de um árbitro o tipo não esteve com meias medidas e deu-me uma bofetada. Ri-me, claro. Não podia fazer mais nada, ali meio deitada, sem cuecas nem sapatos. Deixei-o foder-me e fodi-o também. Foi bom. É sempre bom quando tenho vontade. O tipo cheirava a peixe frito e pastilha de mentol, mas tinha um caralho firme e mãos habilidosas. Ou habituadas, eu sei lá.Quando se veio, saí de cima dele e pedi-lhe cem euros. Foi o que pareceu razoável, dadas as circunstâncias. O cabrão riu-se na minha cara dizendo que não pagava para foder. Eu também não costumo cobrar, mas apeteceu-me pedir-lhe o dinheiro. Mas não me aborreci, assumi que não tínhamos acordado pagamento, portanto, calmamente, vesti as cuecas, calcei os sapatos, abri a mala, tirei o revólver prateado que comprei a um amigo do meu irmão e dei-lhe um tiro na perna. O seu sangue salpicou-me um bocadinho, mas sendo o vestido preto, não se notava muito. O tiro foi um pequeno e seco estalido que não alertou ninguém.Tirei-lhe os cem euros da carteira, saí do carro e voltei para o bar, enquanto o tipo me chamava puta e me dizia que havia de encontrar-me.Não nessa cidade, meu querido.

January 13, 2005

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Há três dias que mal saio da cama. Levanto-me para mijar, para ir à cozinha buscar mais uma garrafa de vodka ou de vinho branco, intercaladamente, e nada mais. Tenho os cigarros e os chocolates no chão, ao lado da cama. Tenho os lençóis amarrotados e húmidos da transpiração. Tenho a boca encortiçada, os olhos inchados, os cabelos desgrenhados.O telefone continua a acusar mensagens. Do Vítor. Mas não as ouço. São sempre a mesma coisa. Quero acreditar que não se atreverá a aparecer, mas com ele nunca se sabe.Tenho o quarto aquecido e fiquei horas a ver filmes. Quando acordei estava no ecran a fazer um broche ao Vítor. Lembro-me que lhe tinha sugerido, nesse dia, que convidássemos a Cristina para nos filmar. Sempre gostou dela, da sua pele alvíssima, das suas mamas grandes e redondas, da sua cona pequenina, quase adolescente. Eu também gosto dela. Temos bebido uns bons copos e tem uma língua firme e macia. Mas ele não quis, não lhe apetecia, nesse dia. Então, colocámos a câmara no tripé e fodemos quase sem sairmos do mesmo sítio. Fiz-lhe um broche porque não me apetecia fodê-lo.A imagem ficou parada no ecran, a minha boca a esconder a sua pila quase tesa, o ricto de prazer na sua boca, as suas mãos crispadas entre os meus cabelos e eu a olhá-lo, sem expressão.Gostaria de voltar a fodê-lo, obviamente, mas isso só acontecerá quando fodê-lo fôr igual a foder qualquer outro gajo que encontre na rua.

January 10, 2005

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É o frio. O frio que se mete sob a pele, sob a nossa pele, e se instala, indecoroso e inconveniente. O frio que nos congela os movimentos, que nos transforma os pensamentos, que nos condiciona o desejo.Na rua, é como se não houvesse pessoas. Apenas bonecos, alguns mal articulados, e por mais que vagueie não consigo ver um homem que me apeteça imaginar sem roupa ou que me apeteça imaginar na cama, em movimentos absurdamente ritmados, nádegas contraídas, testa suada.É o frio. Indecoroso e inconveniente. Por debaixo da pele. Quase nos sentidos.A noite está gelada. O meu corpo também. Bebo vodka. Também ela gelada. Daqui por mais uns dois copos já poderei sair, iludindo o frio, passando pela sombra do homem que me espera mas que se esconde de mim. Sairei e encontrarei outros homens. E neles matarei o frio que toma conta de mim.Vou foder esta noite tantos homens quantos me quiserem. Até esquecer o frio. Até esquecer.

January 09, 2005

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Era inevitável, suponho. Às seis horas é já de noite, uma noite indistinta, ainda indefinida. Aproximei-me do estaleiro, a tremer de frio e de excitação. Quase cambaleava sobre os meus saltos altos, finos, de acrílico. Eles pararam, surpreendidos com a presença de uma mulher no contentor que lhes serve de balneário. Alguns estavam ainda com a roupa velha e suja. Outros já despidos. Pararam a olhar para mim. Os piropos gelaram-se-lhes nas bocas que tanto me apeteciam. Olhei-os, um por um. Demoradamente. Ao fundo ouviam-se ainda barulhos de trabalhadores tardios. Começaram a agitar-se, inquietos. Um deles atreveu-se a perguntar-me se precisava de alguma coisa. Respondi-lhe que precisava de muitas coisas, mas que tudo se poderia resumir a uma só. Rejeitei dois, ficaram apenas cinco. Sem critério.Esqueci os manuais, aproximei-me de um, um dos mais baixos, e rocei-lhe os lábios com a minha língua. Sabia a cimento, a pó. Enfiei-lhe a língua na boca enquanto ele, desajeitadamente, enfiava as mãos por baixo da minha saia. Chamei os outros que riam nervosamente. Não me despi. Fiquei com a saia e a blusa na cintura. Ajoelhei-me e comecei a chupar lentamente o tronco grosso e curto do homem que primeiro beijara.Sem imaginação, os outros acercaram-se e tomaram conta do que puderam, no meu corpo.Pedi-lhes que me fizessem tudo, que me fodessem toda, que me mordessem, que não me deixassem um centímetro de corpo por magoar.Nunca deixando o pau que primeiro chupara, sentei-me em cima de um outro, pedindo-lhe que me abrisse as nádegas para que um outro me comesse o cu.O primeiro a vir-se foi o que eu chupava e lambia desde que chegara. Veio-se para cima das minhas mamas, que os outros continuaram a chupar, a morder, a torcer, para além dos meus gritos, para além das minhas súplicas para que parassem. Vim-me enquanto, violentamente os outros dois me fodiam o cu e a cona e me espancavam as nádegas com tal violência que não sei se me vim pelo prazer ou pela dor.Quando voltei para casa estava ainda mais sozinha. Deitei-me na banheira cheia de água quente, adormeci e só acordei quando, no atendedor de chamadas, ouvi:"Sou eu. Sinto a tua falta."

January 05, 2005

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Do natal nem falo, obviamente. A passagem de ano foi uma noite para esquecer. Comecei a beber cedo demais, quase como se quisesse engolir, em cada trago de vodka, um dia perdido do ano que passou. E estou assim como que a ressacar ainda.As mensagens no atendedor iluminam a sala quase como a árvore que, evidentemente, não decorei, mas não ouvi nenhuma ainda. Não quero saber. Há aquele homem que pára lá em baixo e que me faz sinais sempre que me aproximo da janela, mas que se esconde debaixo do seu casaco preto sempre que saio à rua. Incomoda-me que aja deste modo. Não gosto destes jogos. Se me quer foder, que faça por isso. Por mim, é-me indiferente. Apenas me aquecerá momentaneamente o corpo.O ano novo deprime-me e o homem que se retrai lá em baixo exaspera-me.Em frente da minha janela, continuam as obras e os pedreiros e os empreiteiros e tantos homens que, por vezes, acredito estarem ali só para manterem a tusa (deles e minha) em lume brando.Ontem de manhã bem cedo, pouco antes das oito, abeirei-me da janela, ainda vestida com o vestido de latex que só à distância se suporta, baixei o corpete, esmaguei-me contra o vidro gelado e vim-me rapida e suavemente enquanto os olhava, ensonados, cansados, diluídos no fumo dos cigarros matinais.Só depois me fui deitar. Cansada. Ao lado de uma solidão que só posso atribuir à ressaca e à violência da entrada num novo ano.

December 28, 2004

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Gosto de pintar as unhas. De vermelho. Gosto do contraste. Do choque da cor vermelha na cor morena. Gosto de ver as minhas unhas vermelhas quando seguro numa pila bem firme. Gosto de entreabrir os olhos quando a chupo e movimento a minha mão e, a uma tão curta distância, apenas vejo as unhas vermelhas sobre a pele. Gosto de apertar as minhas mamas enquanto cavalgo o macho que crê que me possui, e as unhas vermelhas se confundem com as marcas que deixo na minha própria pele. Gosto de coisas simples. Unhas vermelhas e sexo. Sem fantasias nem fetiches. De vez em quando apenas a simplicidade de umas unhas vermelhas e pele nua.

December 23, 2004

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E pronto, está aí o Natal e toda a gente esconde aquilo que é em nome de um sentimento pseudo-religioso.Por mim, apenas me deixa algo limitadas as escolhas, já que homens e mulheres optam (ou são forçados) por passar a noite em casa de familiares.O ano passado passei essa alegre noite com o V. Tinhamos acabado de travar conhecimento, o mesmo é dizer, ele tinha-me engatado naquele bar que agora é da Fanny.Foi a melhor noite de Natal que já passei, e os orgasmos que de todas as maneiras consegui foram o melhor presente de Natal que em adulta recebi.Este ano não sei como vai ser. O Jorge quer que vá com ele jantar a casa dos seus pais, mas o velho já me deu umas valentes quecas e não sei se isso será muito boa ideia.Enfim, sempre me resta a lareira acesa, as pilhas novas nos vibradores e os meus dedos que nunca se cansam.Merry Christmas!

December 15, 2004

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Hoje quando cheguei a casa tinha 9 mensagens do Vítor no atendedor de chamadas. Não me dei ao trabalho de as ouvir, claro, mal lhe ouvia a voz, passava à frente. Cheguei cansada, a noite foi longa e cansativa, os dois fulanos com quem a passei eram incansáveis e só me apetecia um bom e relaxante banho.mas nem no banho pude descansar. O Vítor ligou e pude ouvi-lo:"- Atende o telefone. Sei que estás em casa. De onde chegas, de manhã, assim vestida? Porque não respondes às minhas mensagens? Se não atendes, vou bater-te à porta."Porque não me apetece mais sarilhos, fui obrigada a atendê-lo. Apenas para lhe pedir que me deixasse descansar.Por vontade dele, ainda que não o queira mais, não poderia ir para a cama com nenhum outro homem.Puta que pariu o sentimento de posse e a dor de corno.

December 14, 2004

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O pior é a comichão. A cona rapadinha fica engraçada. Para eles poderá ser a ilusão de cona virgem em dona imberbe. Para mim é muito mais do que isso. É sentir-me completamente nua, é por um espelho entre as pernas e ver a pele lisa, é acariciar-me e sentir-me em pleno. De vez em quando, claro, que também gosto de os deixar crescer e deixar os dedos brincarem com esse magnífico monte de vénus, que é uma maneira supostamente simpática de chamar à pintelheira.Claro que, com a cona rapada, e quando me comem pela frente, o que raramente acontece, presumo que por disso estarem já fartos em casa, é do melhor que há sentir na minha pele nuinha os pintelhos deles, algo rígidos a esfregarem-se em mim. Tê-los a eles rapadinhos também não me desagrada de todo. Alguns, claro. Há os que mais vale não terem essas ideias que têm uma pila feia, acogumelada e uns colhões disformes e escuríssimos. Há os que ficam favorecidos, evidenciando a pila, os colhões redondinhos que posso lamber, chupar e mordiscar até me vir. Sim, que eu venho-me de qualquer forma, felizmente. De falta de orgasmos nunca eu hei-de morrer.

December 10, 2004

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Eu não sou muito de fetiches. Já tive um podengo que habituei a lamber-me a cona até me vir mas morreu com um osso entalado na garganta e não quero mais bicharada cá em casa. Até porque entre o trabalho, as saídas com os amigos e outros que nem por isso e algum tempo de relax, não me sobraria tempo para o levar à rua. E eu bem sei o que me acontecia quando levava o meu pequeno podengo à rua; não havia noite de solidão, que eu sou curiosa e gosto de saber o que têm para me dar. Era capaz de ser engraçado ter um cão um pouco maior a foder-me. À canzana. A foder-me o cu também devia ser interessante, se o bicho lhe desse no jeito. Mas isso logo se vê, o Fred tem um pastor belga, talvez a gente se decida a isso.Mas isso nem é nada de mais. Agora o cabrão do Rui dizer-me que os meus broches lhe fazem impressão, quando todos se pelam por eles, e dizer que o melhor que já lhe fizeram foi um boi lá na herdade que tem na província, que com a língua enorme e áspera o fez vir-se três vezes de seguida e que volta e meia vai para o meio do campo à procura do animal, isso é que me custa a engolir.Grande cabrão.

December 08, 2004

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Bigodes são uma triste redundância, ainda ninguém lhes disse? Eles pensam que lhes conferem um certo tom másculo, ou lá o que é. Mas bigodes, só aqueles emprestados pelos meus pintelhos quando me lambem a cona com afinco e dedicação. Quando levantam os olhos para mim e os vejo com a língua enfiada em mim, de ar destrambelhado, os meus pintelhos a entrarem-lhes pelas narinas. Esses bigodes, sim. Tudo o resto são paneleirices de quem quer vincar um tom másculo que vai falhando em atitudes.

December 07, 2004

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Excepcionalmente escrevo de dia.
Em frente à minha janela alguns homens procedem a umas reparações, empoleirados em cima de andaimes, carregando ferramentas, transpirando, falando alto.Quando passo por eles não me desiludem. Os homens só nos desiludem quando esperamos deles que sejam mais do que machos fornicadores, ou com pretensões a isso. Segundo eles, assim eu deixasse, foder-me-iam de todas as formas aprendidas nos filmes que viram. E um dia destes vou deixar. Vou querer. Vou fodê-los. Vou pedir que me fodam. Apetece-me o cheiro a pó, a madeira molhada, a ferro. Sempre quero ver se a língua apenas trabalha para me dizerem que estão cheios de fome de mim. Juntaremos as duas fomes, a fome de quem gosta de sexo por si só. Veremos quantos deles me saberão fazer vir.

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É assim, deitada e nua que me encontras
Molhada de desejo de animal
E com teu pénis teso e mãos sedentas
Me fodes como nunca alguém igual.

December 06, 2004

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Giro, giro é ver as tipas a olharem-me com ar de assassinas enquanto os gajos me galam de soslaio.Algumas até são giras, mas insípidas até à última casa. É um pouco como naqueles diários eróticos que li em miúda, podes ser muito gira mas se não sabes dar uso ao corpo que tens, adeusinho.As tipas olham-me, encostam-se mais ao gajo como que a marcar território e eu não consigo evitar rir, olhando-as nos olhos. Pensarão que eles gostam de comer sempre a mesma coisa, da mesma maneira? Pensarão que gostam que os aborreçam com os seus achaques de donas de casa e pudores e “cuidado, não sujes os lençóis?”Estas tipas metem-me dó. Algumas são mesmo giras, repito, eu própria não me importaria de ter aquelas curvas, mas estão tão presas a preconceitos que nunca se sentirão seguras.Eu até podia ser apenas uma fantasia na cabeça dos gajos, mas aquela atitude de marcação de território fá-los olhar para mim quase num pedido de desculpas.Também não quero chatices. A maior parte deles têm já uma barriguinha que só apetece é virar costas.Mas como não gosto que as tipas pensem que estão seguras... É que se não for eu, é outra, que parece que os tipos, pelo menos os que me têm calhado em sorte, não vivem para outra coisa. Ainda gostava de conhecer um, o tal, que não me visse a cona na testa.

December 05, 2004

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Isto da masturbação não é necessariamente um prazer solitário. A gente aprende sozinhas (com eles é difícil sem esta aprendizagem) mas depois pode e deve ser um prazer partilhado. Já estive com tipos que levavam a mal eu masturbar-me enquanto me fodiam, quase interpretando-o como um desafio ao seu desempenho. Mas não é nada disso. É conhecermo-nos e darmos um jeito às coordenadas para não nos perdermos da rota que queremos seguir.

December 04, 2004

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Gosto de foder. Sempre gostei. Sou uma mulher de sorte. No liceu fodia com quem queria, indiferente aos comentários. Fodia com quantos queria.Quando é assim, os homens pensam que nos usam, que somos de todos. Que ingénuos são. Quando é assim, não somos de ninguém a não ser do nosso próprio prazer. Nem sequer os usamos. Partilhamos prazer. Tão triste é o preconceito que rotula as mulheres de fáceis quando se dão ao prazer tanto quanto os seus companheiros.Gosto de foder e fodo. E grito e gemo e rio-me e venho-me. E é assim que deve ser.Sou livre, afinal.

December 02, 2004

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E fala-se de cus, uns bem torneados, outros lisos como certos dias de verão. Mas, digo eu, se o cu não receber valentes fodas de que lhe servem as bonitas formas? Tenho a certeza de que se perguntasse aos que me fodem, ou que fodo, por vezes não sei bem o que acontece, como é isso dos cus, todos, sem excepção, me responderiam que desde que aceitem acção todos são magníficos. E percebe-se, quer dizer, de que me serviria um gajo dotado de portentosa pila se não a pusesse em pé? Então um cu é só bom para ver e apalpar? Então mas fode-se a valer só com mãos e olhos? Quer dizer, os olhos também comem, não é? Afinal isto resume-se ou não à história de antes ainda de andarmos direitos os narizes andarem enfiados nos sexos alheios?Tenham lá paciência, o corpinho que temos, mais ou menos voluptuoso, é ou não feito para estas coisas da fornicação?

December 01, 2004

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Que aborrecimento, estas tipas que se sentam no café a falar alto, sobre assuntos que as ultrapassam. Falam do tamanho das pilas dos homens. Se interessa ou não. Se compensam a falta de tamanho não sei com quê.Fossem elas menos afectadinhas e tinha-as convidado para uma noite de festa.É claro que o tamanho interessa. É claro que um caralho descomunal nos enche a boca, o cu ou a cona de um modo que um mediano ou pequeno nunca conseguirão. Já fodi imensos caralhos. Grandes, pequenos, finos, grossos, direitos, curvos. Não é tudo igual, independentemente do que o seu portador saiba ou esteja disposto a aprender a fazer com ele. Um caralho grande, grosso, tesíssimo fode-nos até às entranhas, fode-nos alma, se a tivermos. Os homens com caralhos grandes normalmente têm mãos proporcionais. Uma mão destas enfiada numa cona encharcada faz-nos esquecer de quem somos, lirismos à parte. Mas o que é que estas tipas sabem de ser bem fodidas, com aquele arzinho de quem não come a sopa toda?