June 30, 2005
April 18, 2005
a despedida
Tão púrpura foi que não suporta agora ver-se a murchar. E escolheu deixar-se levar. Escolheu deixar-se morrer.
Por sua vontade, escreveria um sublime texto de despedida. Um texto que poderia ser o seu extenso epitáfio, mas sabe que ninguém a chorará. Depois de uma rosa vem sempre outra. No vaso ou na cama, tanto faz. Ninguém lamentará a sua morte e poucos se lembrarão dela quando outra tomar o seu lugar. É mesmo assim. Há sempre um dia em que largamos a amarra que nos prende ao cais. E deixamo-nos ir. Sem pena. Sem dor. Apenas com a quietude de quem fez mal porque não soube fazer bem. Com a quietude do monstro que não soube fazer melhor.
Dizem que o que custa é saber viver. A Rosa pensava que o que custava era encontrar quem a soubesse foder. Mas eu penso que o que ela queria dizer é que era difícil encontrar quem a soubesse amar. Claro que não lho podia dizer. Ter-se-ia rido de mim. A Rosa era assim, púrpura por dentro, púrpura por fora, mas de pétalas vulneráveis, de que ela não cuidava por acreditar que seriam eternas. Mas nada é eterno. Nem o desejo. Às vezes morre mal nasce. Às vezes matamo-lo nós. Às vezes deixamo-lo morrer. Às vezes falta o sol.
(Tudo por causa de um sonho. Ou melhor, a Rosa, que não é mulher para estas coisas, deixou que um sonho, melhor, um pesadelo, fosse a gota que fez transbordar o copo de sangue em que se afoga. Tanto pior.)
Divertiu-se, todavia. Com as dúvidas sobre se seria de homem ou mulher a mão que pegava nesta pena, sobre a veracidade das histórias que contou, com as reacções a temas que se mostraram mais controversos, com os convites por baixo da mesa, com a excitação que lhe contavam. Fez desta janela a barreira que a escudava da frieza dos dias reais. Nasceu anunciada de morte, não sabendo apenas que o prazo seria tão brevemente cumprido.
Uma rosa é só uma rosa, diz ela como quem quer prolongar o momento da despedida mas não sabe como fazê-lo. Não quer ir-se embora, dizemos nós cá de longe. Dizemo-lo já a olhar para o lado, à procura de nova flor, sem nos determos nesta que já murcha e por isso já não alegra a vista de ninguém.
E então saímos devagar. Por pudor, que não é bonito ficarmos a ver a dor alheia.
April 15, 2005
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de Manuel Bandeira (homem que nunca fodi)
Depois de lhe beijar meticulosamente
Ela toma-o na boca e morde-o. Incontinente,
Que vai morrer: - "Eu morro! Ai, não queres que eu morra?!"
E titilando-a nos mamilos e no rabo
April 13, 2005
46

Se o corpo tem sede porque havemos de negar-lhe água?
April 12, 2005
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April 11, 2005
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O mesmo pode acontecer com as fotos que ilustram os meus textos, o mesmo será dizer, o diário dos meus dias. Vejo uma foto, agarro-a, ela agarra-se a mim, envolvemo-nos as duas no mesmo texto. Se essa foto tem dono mas me chegou às mãos sem eu o saber ou, pior do que isso, que dono todas terão, se me chegou às mãos adulterada e eu assim a tomei como original e nessa medida a colei ao texto que é meu; e se nessa colagem falto ao respeito a alguém, que posso eu, Rosa que não é mais do que mulher, fazer a não ser humildemente apresentar um pedido de desculpas?
April 04, 2005
43
É que eu até nem sou esquisita; e não me refiro ao meu critério para escolher os homens. Refiro-me sim ao meu critério para escolher pessoas.
March 30, 2005
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March 24, 2005
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March 21, 2005
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March 18, 2005
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March 17, 2005
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Fernanda Mineiro? Isso era mais absurdo do que chamar Fernando Preto a um esquimó! Se lhe chamassem Fernanda Rosa, ou Fernanda Cravo, qualquer destes nomes se colaria a ela como uma apertada peça de fina roupa interior. Mas aquela professora de olhos fundos e redondos, atrás dos quais parecia querer esconder-se um pudor que o próprio corpo traia a cada movimento, chamava-se Fernanda Mineiro.
Olhando-a, eu só conseguia ver debaixo da ganga levemente coçada o fio dental a rasgar-lhe as nádegas, e o negro do fio agarrado pelos meus dentes, enquanto a minha língua descia como cobra até entrar no buraco envolvido por uma carapinha tumultuosa - isso no fim de um tronco de vime que se prendia a mim, me envolvia, me apertava como se quisesse chupar-me todo o sangue.
E, no alto desse tronco, as mamas de que me chegava o calor de dois sóis a rebentar o azul da blusa.
Ela Fernanda Mineiro? Ela um Cassius Clay cortando pedras de carvão a cem metros de profundidade, que à noite, depois de emborcar uma garrafa de Wisky, enterrava os seus vinte centímetros na mulher sem dar por isso?
Uma mistura em que não consigo pensar de desejo, pavor e pena, levou-me a dirigir-me a ela e dizer-lhe carinhosamente Fernanda Mineiro não, Fernanda Mineiro nunca conseguiria chamar-te, deixa-me que te chame Fernanda Minete, respeitando o mais possível a música do nome que os teus paizinhos te puseram, mas eu não sou capaz de pronunciar para ti.
Então, esmeraldas lânguidas voltaram-se para mim de dentro de dois globos oculares e ciciaram-me com uma serenidade que me deixou petrificado:
- Deixava, deixava, meu querido. Só é pena vires uma semana atrasado.
March 14, 2005
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March 10, 2005
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March 07, 2005
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February 27, 2005
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February 25, 2005
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February 24, 2005
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February 22, 2005
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(Afinal, qual é a diferença efectiva entre um minete com sangue menstrual -sendo que o minete até pode restringir-se ao clítoris- e um broche no qual se engole o esperma todo?)
February 18, 2005
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February 16, 2005
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February 13, 2005
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February 11, 2005
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February 07, 2005
26

Não sei porquê, vim reler o que escrevi. Não costumo fazê-lo, por isso digo que não sei porque o fiz. E o que li não me agradou. Nem a mim mesma.Murcha, não é? Eu não sou assim. Eu sou e estou viva. E o meu corpo só faz sentido a ser fodido. Por isso a porta da minha casa nova abriu-se para receber o Jorge. E eu abri-me para o receber a ele. E que se fodam as ressacas, se se foderem tão bem como ele me fode a mim.
25
Atingi um ponto de insatisfação de onde não sei se conseguirei sair.Aqui, deitada na cama da minha nova casa, ainda não habituada à disposição dos móveis, às luzes de néon, revisito as minhas últimas relações e percebo que tenho procurado sempre tê-las com vários homens, de uma só vez. Nem por isso têm sido mais satisfatórias. Quer dizer, têm sido boas, mas continuo a ficar vazia depois delas, e o maior prazer ainda sou eu que o dou a mim mesma.Sento-me sozinha em casa, rodeada de pornografia, visto-me para matar ou para morrer e saio de casa sem olhar para trás. Quando volto, venho cansada, suja, com a maquilhagem esbatida, a roupa amarrotada, as pernas trôpegas e com o álcool vou entorpecendo a realidade.Deve ser do frio. Preciso que chegue a primavera. Preciso de sentir no ar o selvagem bailado de hormonas, feromonas.Preciso de me sentir viva e cada vez sei menos como consegui-lo.
February 05, 2005
24
Esta mudança de casa não estava propriamente nos meus planos, mas começou a incomodar-me a sombra que se esconde no escuro, lá em baixo, noite após noite. Incomoda-me o falso pudor dos vizinhos, delas que invejam os orgasmos que ouvem através das paredes mal isoladas, deles que me comem com os olhos, que entrariam em minha casa ao mais pequeno sinal, mas que se fingem chocados com as visitas que recebo, dizem que dá mau ambiente ao prédio.Puta que os pariu a todos.Aqui ninguém me conhece, nem eu conheço bem esta parte da cidade, mas tanto melhor. Sei que é sempre tudo igual, em todo o lado. É tudo uma questão de tempo, mas enquanto não se lembrarem de me aborrecer, e até pode ser que me torne mais paciente, estarei descansada.Esta casa é grande, maior do que a outra, e não tem a presença do Vítor, não o vejo a encostar-me à parede, segurando-me pelos pulsos, beijando-me a boca, o pescoço, as mamas, o umbigo, ajoelhando-se a meus pés enquanto me lambia a cona, antes de me pegar por baixo das pernas e de me foder enquanto o jantar que tinha preparado cozinhava lentamente no fogão.Aqui posso resnascer. Posso esquecer que já acreditei que um certo tipo de felicidade é possível. Aqui posso abrir a porta a qualquer um sem a pesada sensação de que estou a trair esse homem que quase me fez acreditar que uma foda é melhor se houver também algum... sentimento.É maior esta casa. Tem mais janelas e maiores. Fica na cobertura do prédio. É mais impessoal. Gosto mais desta.Aqui posso sentar-me no largo parapeito da janela, ver as difusas formas de quem passa na rua, não ser incomodada pelo toque do telefone ou pelas luzes vermelhas do atendedor de chamadas. Posso embaciar os vidros da janela e fazer desenhos absurdos enquanto me lembro da cara chocada dos vizinhos quando, ao passarem, me viram a ser fodida por um dos rapazes da empresa de mudanças. Não foi sequer uma boa foda, mas eu fingi que gostei, fingi que também desejava o outro, mais velho, quando ele me enfiou a pila na boca e pensou que me obrigava a fazer-lhe um broche. E ri, descaradamente, quando os vizinhos pararam à minha porta, que deixei aberta, e ameaçaram chamar a polícia. E ri quando ficaram sem argumentos para a minha resposta de que também os aviaria, e àquele vizinho careca também, a ver se ele ainda se lembrava do que era foder a sério, sem medo de acordar os vizinhos ou de sujar os lençóis.Quero lá saber.Aqui não conheço ninguém, ninguém me conhece, agora ando de táxi, vendi o meu carro para que a sua presença estacionado na rua não me traia. E não me aborreço com manutenções estúpidas e idas a oficinas que acabavam, invariavelmente, do mesmo modo.Apetece-me voltara ser como era. Foder quem encontrava e escolhia e deixar-me de fodas mal paridas em oficinas, supermercados e estações de serviço, como aquela na neve, em que deixei a Cristina e o amigo a fazerem-se cócegas, saí para comprar filtros de café e acabei enrolada com um dos empregados que fodi apenas para disfarçar a frustração da cabana. Mas já nem esses disfarces funcionam.A idade trouxe-me, lentamente, a um amadurecimento em que preciso de mais, não me basta foder quem me acene. Preciso de ser mais selectiva, por mim.Comecei por escolher uma nova casa. Acredito que, à laia de resolução de ano novo, isto seja um começo. Não sei bem de quê, mas viro a página, veremos o que está escrito para mim mais à frente.
January 31, 2005
23

Eu sei que não sou exemplo para ninguém, excito-me com as merdas mais estranhas, pelo menos era o que me dizia o Vítor quando estava mais aborrecido comigo. Independentemente disso, não percebo a fixação dos homens em cenas lésbicas. Percebo o efeito de duas-vezes-cona, de quatro-vezes-mamas, mas a tusa não pode nascer só da quantidade. Ou pode? Serão os nossos instintos tão básicos quanto isso?O amigo da Cristina fodeu-me três vezes, durante o fim de semana só por nos ter visto, às duas, enroladas a ver se afugentávamos o frio da neve, lá fora. Não me fodeu mais vezes porque fui à rua comprar filtros para café, que o imbecil se esqueceu de levar, e por lá me entretive, história que fica para depois.As fodas deste amiguinho então, são mesmo para esquecer. Além de só se ter entesado por nos ter visto nos mimos, para nada tendo servido os broches e outras artes com que a Cristina decidiu mimá-lo, para lhe agradecer a estadia na neve, suponho, brindou-me com três míseras fodas de que até o mais cabritinho se envergonharia. De grande coisa lhe serve o enorme pau que carrega dentro das calças, não haja dúvida.
January 24, 2005
22
Além de me foder bem, com carinho e com fúria, com atenção e egoísmo, gritando-me e no silêncio, gosta de me surpreender. Nada de rosas vermelhas ou pulseiras de diamantes. Nada de jantares em restaurantes pseudo-românticos ou vistosas caixas de bombons raros e caríssimos. Nada de viagens a ilhas paradisíacas nem fins de semana em iates no alto mar. Faz-me amor e fode-me, intercaladamente, até que, exausta, adormeço, de costas voltadas para ele, a mão a suster-lhe, agradecida, o caralho adormecido, húmido e macio. Deixa-me adormecer assim sem se mover, quase sem respirar. Não me toca. Não me deseja bons sonhos. Parece já nem estar ali. Parece que cada um de nós, saciados agora, volta para a sua própria casa, ainda que fiquemos deitados na mesma cama, lado a lado. É depois de o meu sono ser profundo, é quando a minha respiração sossega e equaliza, é quando a minha mão se recolhe para entre as minhas pernas que ele, despertíssimo, lentamente, sem dificuldade, abre as minhas nádegas. A primeira coisa que sinto, ainda a arrancar-me ao sono profundo, o primeiro, o merecido descanso desta guerreira sem tréguas, é a sua língua meio seca, enrolada e firme, a penetrar-me o cu. Mexo-me um pouco. Os pelos do seu peito fazem cócegas na minha carne macerada. Aproveita esse movimento para agarrar melhor as minhas nádegas e, segurando-as firmemente afastadas, deixa escorrer um fio de saliva que cai frio no calor do meu cu, fodido poucas horas antes. A sua mão força-me a pélvis para cima, mais ao encontro da sua boca. Eu ajeito-me, ainda adormecida e habituada a sonhos bons. Sinto a sua mão abrir caminho pela minha cona, ainda ou já húmida. Sinto-a rodar, perfurar, entrar como se essa fosse a sua casa. Continua a foder-me o cu com a língua. Eu dou-lho, agradavelmente descontraída. A sua mão na minha cona guia todo o meu corpo, puxa-me para cima, obriga-me a manter um ângulo de rins digno de uma artista de circo. E eu não me queixo. Dou-lhe o que quer do meu corpo. A sua saliva molha-me o cu, escorre-me já pelas nádegas, até à cona que abriga a sua mão, metida até ao punho, com convicção. Sinto-o endireitar-se no silêncio do quarto onde adivinho já os primeiros raios de sol, mas não abro os olhos. A sua mão dentro da minha cona alivia o movimento de vai-e-vem e aperto-o para que não a retire. Uma lambidela mais no cu, apenas. Uma lambidela. E, de repente, o seu caralho, sempre bem-vindo, a entrar, a escorregar para dentro desse túnel sempre misterioso e obscuro. A sua mão, agora parada, enche-me a cona e é o seu caralho que me fode o cu com tanta força quanto é possível. E eu abro-me o mais que posso e já sou eu que o fodo, não é ele que me fode a mim. E continuamos a foder-nos, quase violentamente, não fosse o brilho que as minhas pálpebras corridas encobrem e eu sinto o orgasmo cavalgando rapidamente e chamo-o, "vem a mim, vem-te a mim, vem-te para mim", e com a minha mão, com dois dedos da minha mão direita, violento o meu clítoris como se este fosse o meu último orgasmo. E venho-me como um animal selvagem, estrangulando-lhe o pulso enquanto me contraio, dando-lhe o cu que me fode cada vez mais forte, enquanto lhe grito que se venha no meu cu como se fosse um cavalo alado quem me estivesse a foder. Ele retira, bruscamente, a mão da minha cona, segura-me pelos quadris, grita-me que se vem, como se fosse preciso dizer-mo, tal o estertor que lhe sacode as pernas e cai por cima de mim, suado, satisfeito, segurando, com as suas mãos em concha, as minhas mamas feitas para aí caberem e descansarem inteiras. E adormecemos de novo.
January 20, 2005
21
January 18, 2005
20
January 16, 2005
19
Isto não é muito meu, mas estou deprimida. Talvez porque hoje não tenha dado uma queca. Ou porque bebi demais. Ou porque saí, andei de carro às voltas e nem sequer fui ver o mar. Ou porque me puseram a mão no ombro quando parei na estação de serviço para comprar cigarros e vinho branco. Ou talvez porque tenho de reescrever todas as palavras por já não ver bem o teclado. Ou talvez porque não sei viver comigo própria. Ou porque nem me apeteça masturbar-me. Ou porque o vinho não está gelado. Nem fresco. Ou porque há luzes nas janelas em frente. Ou porque o meu corpo já nem a mim apetece. Talvez porque todas as mulheres são tão bonitas e tão inteligentes. Talvez.
January 15, 2005
18
Quando aquele homem me abordou no bar eu já sabia que não correria bem. Quer dizer, não sabia, mas poderia ter sabido se não mantivesse sempre esta esperança de que as pessoas, todas, podem ter um dia de sorte. Mas não, não soube isso, não o li no seu olhar de matador, não o percebi no seu caminhar gingão e trocista, não o entendi na abordagem suja e directa que utilizou para me foder mesmo ali, nas traseiras do bar onde tinha estacionado o seu velho Fiat vermelho. Por isso segui-o. Não só por isso, claro. Também porque tinha ido ali para isso, para ser engatada. É fácil, os homens são mais fáceis do que as mulheres fáceis. Basta-me uma roupa justa, os lábios pintados de carmim, meias de puta e toda eu passo a ser visivelmente puta.Claro que a minha pose ajuda. As pernas traçadas e as mamas apertadas num wonderbra com duplas almofadas não deixam margem para que duvidem do que pretendo.O carro cheirava a gatos, os estofos estavam queimados por cigarros mal apagados e o rádio debitava um som roufenho que me distraía da estupidez que era a música. O banco de trás, onde me instalei imediatamente, estava literalmente forrado com revistas pornográficas e jornais desportivos. Quando gabei o rabo de um árbitro o tipo não esteve com meias medidas e deu-me uma bofetada. Ri-me, claro. Não podia fazer mais nada, ali meio deitada, sem cuecas nem sapatos. Deixei-o foder-me e fodi-o também. Foi bom. É sempre bom quando tenho vontade. O tipo cheirava a peixe frito e pastilha de mentol, mas tinha um caralho firme e mãos habilidosas. Ou habituadas, eu sei lá.Quando se veio, saí de cima dele e pedi-lhe cem euros. Foi o que pareceu razoável, dadas as circunstâncias. O cabrão riu-se na minha cara dizendo que não pagava para foder. Eu também não costumo cobrar, mas apeteceu-me pedir-lhe o dinheiro. Mas não me aborreci, assumi que não tínhamos acordado pagamento, portanto, calmamente, vesti as cuecas, calcei os sapatos, abri a mala, tirei o revólver prateado que comprei a um amigo do meu irmão e dei-lhe um tiro na perna. O seu sangue salpicou-me um bocadinho, mas sendo o vestido preto, não se notava muito. O tiro foi um pequeno e seco estalido que não alertou ninguém.Tirei-lhe os cem euros da carteira, saí do carro e voltei para o bar, enquanto o tipo me chamava puta e me dizia que havia de encontrar-me.Não nessa cidade, meu querido.
January 13, 2005
17

Há três dias que mal saio da cama. Levanto-me para mijar, para ir à cozinha buscar mais uma garrafa de vodka ou de vinho branco, intercaladamente, e nada mais. Tenho os cigarros e os chocolates no chão, ao lado da cama. Tenho os lençóis amarrotados e húmidos da transpiração. Tenho a boca encortiçada, os olhos inchados, os cabelos desgrenhados.O telefone continua a acusar mensagens. Do Vítor. Mas não as ouço. São sempre a mesma coisa. Quero acreditar que não se atreverá a aparecer, mas com ele nunca se sabe.Tenho o quarto aquecido e fiquei horas a ver filmes. Quando acordei estava no ecran a fazer um broche ao Vítor. Lembro-me que lhe tinha sugerido, nesse dia, que convidássemos a Cristina para nos filmar. Sempre gostou dela, da sua pele alvíssima, das suas mamas grandes e redondas, da sua cona pequenina, quase adolescente. Eu também gosto dela. Temos bebido uns bons copos e tem uma língua firme e macia. Mas ele não quis, não lhe apetecia, nesse dia. Então, colocámos a câmara no tripé e fodemos quase sem sairmos do mesmo sítio. Fiz-lhe um broche porque não me apetecia fodê-lo.A imagem ficou parada no ecran, a minha boca a esconder a sua pila quase tesa, o ricto de prazer na sua boca, as suas mãos crispadas entre os meus cabelos e eu a olhá-lo, sem expressão.Gostaria de voltar a fodê-lo, obviamente, mas isso só acontecerá quando fodê-lo fôr igual a foder qualquer outro gajo que encontre na rua.
January 10, 2005
16

January 09, 2005
15

Era inevitável, suponho. Às seis horas é já de noite, uma noite indistinta, ainda indefinida. Aproximei-me do estaleiro, a tremer de frio e de excitação. Quase cambaleava sobre os meus saltos altos, finos, de acrílico. Eles pararam, surpreendidos com a presença de uma mulher no contentor que lhes serve de balneário. Alguns estavam ainda com a roupa velha e suja. Outros já despidos. Pararam a olhar para mim. Os piropos gelaram-se-lhes nas bocas que tanto me apeteciam. Olhei-os, um por um. Demoradamente. Ao fundo ouviam-se ainda barulhos de trabalhadores tardios. Começaram a agitar-se, inquietos. Um deles atreveu-se a perguntar-me se precisava de alguma coisa. Respondi-lhe que precisava de muitas coisas, mas que tudo se poderia resumir a uma só. Rejeitei dois, ficaram apenas cinco. Sem critério.Esqueci os manuais, aproximei-me de um, um dos mais baixos, e rocei-lhe os lábios com a minha língua. Sabia a cimento, a pó. Enfiei-lhe a língua na boca enquanto ele, desajeitadamente, enfiava as mãos por baixo da minha saia. Chamei os outros que riam nervosamente. Não me despi. Fiquei com a saia e a blusa na cintura. Ajoelhei-me e comecei a chupar lentamente o tronco grosso e curto do homem que primeiro beijara.Sem imaginação, os outros acercaram-se e tomaram conta do que puderam, no meu corpo.Pedi-lhes que me fizessem tudo, que me fodessem toda, que me mordessem, que não me deixassem um centímetro de corpo por magoar.Nunca deixando o pau que primeiro chupara, sentei-me em cima de um outro, pedindo-lhe que me abrisse as nádegas para que um outro me comesse o cu.O primeiro a vir-se foi o que eu chupava e lambia desde que chegara. Veio-se para cima das minhas mamas, que os outros continuaram a chupar, a morder, a torcer, para além dos meus gritos, para além das minhas súplicas para que parassem. Vim-me enquanto, violentamente os outros dois me fodiam o cu e a cona e me espancavam as nádegas com tal violência que não sei se me vim pelo prazer ou pela dor.Quando voltei para casa estava ainda mais sozinha. Deitei-me na banheira cheia de água quente, adormeci e só acordei quando, no atendedor de chamadas, ouvi:"Sou eu. Sinto a tua falta."
January 05, 2005
14

Do natal nem falo, obviamente. A passagem de ano foi uma noite para esquecer. Comecei a beber cedo demais, quase como se quisesse engolir, em cada trago de vodka, um dia perdido do ano que passou. E estou assim como que a ressacar ainda.As mensagens no atendedor iluminam a sala quase como a árvore que, evidentemente, não decorei, mas não ouvi nenhuma ainda. Não quero saber. Há aquele homem que pára lá em baixo e que me faz sinais sempre que me aproximo da janela, mas que se esconde debaixo do seu casaco preto sempre que saio à rua. Incomoda-me que aja deste modo. Não gosto destes jogos. Se me quer foder, que faça por isso. Por mim, é-me indiferente. Apenas me aquecerá momentaneamente o corpo.O ano novo deprime-me e o homem que se retrai lá em baixo exaspera-me.Em frente da minha janela, continuam as obras e os pedreiros e os empreiteiros e tantos homens que, por vezes, acredito estarem ali só para manterem a tusa (deles e minha) em lume brando.Ontem de manhã bem cedo, pouco antes das oito, abeirei-me da janela, ainda vestida com o vestido de latex que só à distância se suporta, baixei o corpete, esmaguei-me contra o vidro gelado e vim-me rapida e suavemente enquanto os olhava, ensonados, cansados, diluídos no fumo dos cigarros matinais.Só depois me fui deitar. Cansada. Ao lado de uma solidão que só posso atribuir à ressaca e à violência da entrada num novo ano.
December 28, 2004
13
Gosto de pintar as unhas. De vermelho. Gosto do contraste. Do choque da cor vermelha na cor morena. Gosto de ver as minhas unhas vermelhas quando seguro numa pila bem firme. Gosto de entreabrir os olhos quando a chupo e movimento a minha mão e, a uma tão curta distância, apenas vejo as unhas vermelhas sobre a pele. Gosto de apertar as minhas mamas enquanto cavalgo o macho que crê que me possui, e as unhas vermelhas se confundem com as marcas que deixo na minha própria pele. Gosto de coisas simples. Unhas vermelhas e sexo. Sem fantasias nem fetiches. De vez em quando apenas a simplicidade de umas unhas vermelhas e pele nua.
December 23, 2004
12

E pronto, está aí o Natal e toda a gente esconde aquilo que é em nome de um sentimento pseudo-religioso.Por mim, apenas me deixa algo limitadas as escolhas, já que homens e mulheres optam (ou são forçados) por passar a noite em casa de familiares.O ano passado passei essa alegre noite com o V. Tinhamos acabado de travar conhecimento, o mesmo é dizer, ele tinha-me engatado naquele bar que agora é da Fanny.Foi a melhor noite de Natal que já passei, e os orgasmos que de todas as maneiras consegui foram o melhor presente de Natal que em adulta recebi.Este ano não sei como vai ser. O Jorge quer que vá com ele jantar a casa dos seus pais, mas o velho já me deu umas valentes quecas e não sei se isso será muito boa ideia.Enfim, sempre me resta a lareira acesa, as pilhas novas nos vibradores e os meus dedos que nunca se cansam.Merry Christmas!
December 15, 2004
11

December 14, 2004
10
December 10, 2004
9
December 08, 2004
8
December 07, 2004
7
Em frente à minha janela alguns homens procedem a umas reparações, empoleirados em cima de andaimes, carregando ferramentas, transpirando, falando alto.Quando passo por eles não me desiludem. Os homens só nos desiludem quando esperamos deles que sejam mais do que machos fornicadores, ou com pretensões a isso. Segundo eles, assim eu deixasse, foder-me-iam de todas as formas aprendidas nos filmes que viram. E um dia destes vou deixar. Vou querer. Vou fodê-los. Vou pedir que me fodam. Apetece-me o cheiro a pó, a madeira molhada, a ferro. Sempre quero ver se a língua apenas trabalha para me dizerem que estão cheios de fome de mim. Juntaremos as duas fomes, a fome de quem gosta de sexo por si só. Veremos quantos deles me saberão fazer vir.
6
É assim, deitada e nua que me encontras
December 06, 2004
5
December 05, 2004
4

Isto da masturbação não é necessariamente um prazer solitário. A gente aprende sozinhas (com eles é difícil sem esta aprendizagem) mas depois pode e deve ser um prazer partilhado. Já estive com tipos que levavam a mal eu masturbar-me enquanto me fodiam, quase interpretando-o como um desafio ao seu desempenho. Mas não é nada disso. É conhecermo-nos e darmos um jeito às coordenadas para não nos perdermos da rota que queremos seguir.
December 04, 2004
3
Gosto de foder. Sempre gostei. Sou uma mulher de sorte. No liceu fodia com quem queria, indiferente aos comentários. Fodia com quantos queria.Quando é assim, os homens pensam que nos usam, que somos de todos. Que ingénuos são. Quando é assim, não somos de ninguém a não ser do nosso próprio prazer. Nem sequer os usamos. Partilhamos prazer. Tão triste é o preconceito que rotula as mulheres de fáceis quando se dão ao prazer tanto quanto os seus companheiros.Gosto de foder e fodo. E grito e gemo e rio-me e venho-me. E é assim que deve ser.Sou livre, afinal.
December 02, 2004
2

E fala-se de cus, uns bem torneados, outros lisos como certos dias de verão. Mas, digo eu, se o cu não receber valentes fodas de que lhe servem as bonitas formas? Tenho a certeza de que se perguntasse aos que me fodem, ou que fodo, por vezes não sei bem o que acontece, como é isso dos cus, todos, sem excepção, me responderiam que desde que aceitem acção todos são magníficos. E percebe-se, quer dizer, de que me serviria um gajo dotado de portentosa pila se não a pusesse em pé? Então um cu é só bom para ver e apalpar? Então mas fode-se a valer só com mãos e olhos? Quer dizer, os olhos também comem, não é? Afinal isto resume-se ou não à história de antes ainda de andarmos direitos os narizes andarem enfiados nos sexos alheios?Tenham lá paciência, o corpinho que temos, mais ou menos voluptuoso, é ou não feito para estas coisas da fornicação?
December 01, 2004
1

Que aborrecimento, estas tipas que se sentam no café a falar alto, sobre assuntos que as ultrapassam. Falam do tamanho das pilas dos homens. Se interessa ou não. Se compensam a falta de tamanho não sei com quê.Fossem elas menos afectadinhas e tinha-as convidado para uma noite de festa.É claro que o tamanho interessa. É claro que um caralho descomunal nos enche a boca, o cu ou a cona de um modo que um mediano ou pequeno nunca conseguirão. Já fodi imensos caralhos. Grandes, pequenos, finos, grossos, direitos, curvos. Não é tudo igual, independentemente do que o seu portador saiba ou esteja disposto a aprender a fazer com ele. Um caralho grande, grosso, tesíssimo fode-nos até às entranhas, fode-nos alma, se a tivermos. Os homens com caralhos grandes normalmente têm mãos proporcionais. Uma mão destas enfiada numa cona encharcada faz-nos esquecer de quem somos, lirismos à parte. Mas o que é que estas tipas sabem de ser bem fodidas, com aquele arzinho de quem não come a sopa toda?


